Avançar para o conteúdo principal

Peniche - A Oeste Tudo de Novo



Aqui o mar enrola as almas das gentes de Peniche, um lugar que é mais do que o ponto mais ocidental da Europa e onde o seu clima característico, agreste, típico de uma ilha, nos leva para uma época em que este pedaço de terra se encontrava solto no mar. Com o passar do tempo passou a península estando atualmente completamente unificada com o continente.
A vida em Peniche faz-se da agricultura tão típica da região mas no seu sangue corre sem duvida a salgada água do mar. Desde tempos idos é conhecida como uma terra de negócio, altura em que as salinas davam o sal essencial para a salga do peixe. Vivendo muito virada para o mar, as suas extensas praias prolongam-se para além do Baleal, numa extensão de cerca de 9 quilómetros até chegar à Foz do Arelho.
O ponto mais ocidental de todos é o Cabo Carvoeiro, de onde, em dias sem nevoeiro, se avista o arquipélago das Berlengas, uma formação de origem vulcânica, reserva natural, que alberga espécies raras de aves, peixes e de flora.
Por aqui a agricultura e a pesca viveram de mãos dadas. No seu passado relatos de assaltos de piratas e ocupações estrageiras dão o  toque único à história desta terra, cuja Praça-forte serviu de praça militar e ponto de defesa estratégico, tendo ficado para sempre ligado ao regime de Oliveira Salazar, uma vez que este era um dos lugares onde o governo aprisionava os presos políticos. Após a Revolução dos Cravos serviu de abrigo a vagas de retornados que regressavam das ex-colónias, tendo passado mais tarde a Museu Municipal de Peniche.
A vida nunca foi fácil em Peniche. Os homens do mar, de mãos calejadas e olhar cansado, tinham vidas marcadas pelo perigo constante e grandes privações, especialmente até à segunda metade do seculo passado, altura em que aos poucos as embarcações à vela foram sendo substituídas por traineiras já com motor. Mas apesar de dura esta era a vida destas gentes que tinha uma boa fatia da sua economia familiar assente no sector das pescas, sendo que esta é uma tradição que se perde na bruma dos tempos, testemunho disso podem ser os pesos de cerâmica nas redes de pesca, que poderá vir desde o tempo dos romanos.
Atualmente o porto de pesca de Peniche ainda é um dos mais importantes de Portugal, pelo menos no que diz respeito ao volume de pescado transacionado, sendo que entre as principais espécies capturadas se encontra o robalo, o polvo e o choco, a cavala e o carapau.
O surf veio trazer a Peniche uma nova vida, o turismo e a economia local sofreram um novo impulso tendo por isso um papel a ter em consideração no seu desenvolvimento,  sendo por isso mesmo uma grande mais valia para toda a região Oeste. Escolas de surf, hostels e bares vieram trazer a Peniche uma nova forma de estar. Sempre virada para o mar, os calos das mãos dos homens do mar continuam a fazer parte do dia a dia daqui mas agora, os risos jovens, as cores e sobretudo uma nova irreverencia própria de quem desafia as ondas só porque ama faze-lo, veio trazer a esta região uma nova vaga de ar fresco e a esperança da renovação.     













Comentários

Mensagens populares deste blogue

Ponte da Barca, onde a felicidade se veste de verde

Escolher Ponte da Barca é escolher um lugar onde o verde ocupa cada canto, um lugar onde a vida ainda corre devagar, onde as pessoas se sentam nas esplanadas enquanto se conversa animadamente e os miúdos riem alto, saltitando por entre as cadeiras. Escolher ponte da barca é escolher a natureza em estado puro, ouvir as horas a passar devagar, ao ritmo do compasso lento do sino da igreja.Escolher Ponte da Barca é estar mesmo ao pé do Geres, da Ecovia do Vez, em pleno Alto Minho, uma terra abraçada pelo Rio Lima e que ainda serve muitos peregrinos a caminho de Santiago de Compostela. A ponte que domina a paisagem, datada de 1450, une duas margens, une gentes e aproxima regiões.Esta é uma terra rica, onde o granito se funde com as paredes brancas e os canteiros de flores dão um toque colorido e cuidado à vila. A não perder, os Paços do Concelho, o Pelourinho, o Mercado Pombalino e a Igreja Matriz dedicada a S. João Baptista. Igualmente a não perder, a pesca da lampreia no Rio Lima, os cou…

Canyoning ou a arte de se divertir no Gerês, em plena natureza

Quem nunca experimentou canyoning não sabe o que está a perder. Recomendo que comece devagar e a Norte porque o Gerês tem um encanto natural difícil de encontrar noutro lugar, no mundo, que leve um grupo de bons amigos e que escolha a Toboga -  https://portal.toboga.pt/Canoyoning, faz lembrar canoa certo? E a tradução fácil e para mim está quase correta porque é o nosso corpo que faz de canoa por entre pedras e riachos e…. não é que é tão divertido?!Não sou masoquista, mas vou sempre preparada para sofrer. Imaginem que estão na beira de uma estrada, com uma escarpa que parece a pique até ao rio que mal se ouve lá ao fundo. O primeiro pensamento é - ainda temos de caminhar pelo alcatrão para encontrar o caminho, depois olhamos melhor, só pelo canto do olho porque a alma não ficou tranquila, e vimos um pequeno caminho de pedras e terra e um pequeno apoio lateral que parece descer a pique por ali abaixo…não, não vamos descer por ali, pois não? UI, afinal vamos! Isto depois de termos sofr…

Na Vidigueira a Adega do Zé Galante é Que é

Do que mais gosto é de descobrir pequenos segredos, lugares pouco explorados, pequenos encantos, especiais porque quase ninguém os conhece. Na Vidigueira há um lugar assim, uma adega onde o vinho da talha embala os petiscos que só podemos degustar numa casa alentejana. Qual é o segredo? É que aqui estamos mesmo em casa e sentimo-nos tão confortáveis que não nos apetece sair e para quem quiser continuar a viver a experiencia de se sentir assim tão bem, existe perto um alojamento local, elaborado com o mesmo conceito, e que complementa a vivencia. O texto abaixo não é da minha autoria, foi-me enviado pelo próprio Zé Galante. O Alentejo tem muitos segredos para desvendar, acompanhem-me nesta viagem: “Foi aos 55 anos que José Galante decidiu que era tempo de dar por concluída a carreira de inspetor da Polícia Judiciária. Com a chegada da reforma passou a ter tempo para, enfim, se dedicar à "paixão" de sempre: o fabrico do vinho da talha. Em Vila de Frades - terra onde o avô já fazia…