Quinta do Almaraz, a Almada Fenícia que poucos conhecem


Vou contar uma história com muitos anos e que está preservada até hoje debaixo da terra, uma história que não se perdeu porque quando as terras iam ser loteadas para construção a Camara de Almada comprou os terrenos. Uma história com muitos anos contada numa zona pouco conhecida de Almada.
Esperava encontrar mais mas quando cheguei vi uns muros mesmo junto ao castelo e deparei-me com uma quinta onde alguns agricultores de horas livres cultivam o seu pedaço de terra. A vista de 360º graus era deslumbrante, sobre o mar e o ar, puro, sabia bem quando respirava fundo e enchia os pulmões.
Foi por entre árvores de fruta, favas, ervilhas, cebolas, batatas e tantos outros produtos que descobri uma outra Almada, a do início da sua povoação, a do tempo dos Fenícios.
Desde à muito que o local onde se encontra a Quinta do Almaraz é considerado um local privilegiado para a fixação das comunidades. Para além de ser de fácil acesso tem um domínio visual sobre o território envolvente e está muito perto de Cacilhas, mesmo junto à entrada do rio Tejo, importante estrada de acesso antigo à autoestrada que era o Oceano Atlântico. Mas foram os Fenícios durante a sua diáspora que ocuparam o território há cerca de 2700 anos atrás e que tiveram maior impacto na região, tornando este local num dos maiores e mais importantes povoados do Ocidente da Península Ibérica.
De tudo o que existe em redol do local dá para adivinhar que até agora só se conhece um pouco de tudo o que existe ainda para descobrir, tapado por terra com muitas centenas de anos. A descoberto foram identificadas áreas de habitação na parte mais alta do povoado sendo de destacar o facto de se apresentarem com uma planta retangular e não redonda e com divisões dentro de casa. As paredes seriam em adobe e os pavimentos em argila. Dentro de algumas divisões identificaram-se lareiras contudo a pedra usada era local havendo assim um misto de influências nas construções deste povoado.
O local era delimitado por um fosso e uma muralha servindo de defensa contra as invasões de outros povos e de animais como por exemplo o urso (dá para acreditar que naquela época havia ursos em Almada que ameaçavam as populações?).
A escavação do interior do fosso forneceu um importante espólio, servindo para enriquecer os conhecimentos do quotidiano que temos destes povos. Por aqui encontraram-se peças de cerâmica de mesa e de cozinha e instrumentos utilizados nas atividades artesanais como tecelagem, pesca e olaria. Para além disso foi possível descobrir que a população dedicava-se também à agricultura, à pastorícia e à metalurgia do ouro, ferro e cobre.
Até ao início do séc. XX este local funcionou como uma pedreira o que destruiu muitos vestígios, hoje em dia encontra-se cuidadosamente cuidado, servindo a agricultura também para manter a zona livre de mato denso.
As visitas à Quinta do Almaraz em Almada, na Alameda do Castelo, realizam-se de maio a outubro sendo necessário fazer marcação previamente para arquelogia@cma.m-almada.pt.
























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