Speeding date em Madrid




Madrid fica mesmo aqui ao lado, de avião fica a menos de uma hora, e contudo nunca tinha ido a Madrid.













Pensava que era uma cidade com pouco interesse, imensa mas inferior em termos arquitetónicos a Barcelona e por isso nunca tinha pensado nesta cidade com um ponto de interesse.

Fui conhecer Madrid em contra relógio. Tinha um compromisso que me iria ocupar toda a tarde por isso só me sobravam 2 a 3 horas da manhã, incluindo deslocações. Pensava que era uma missão impossível mas como me sobrava esse tempo parti à aventura.  

Antes de iniciar a viagem fiz alguma pesquisa para ter uma ideia do que iria encontrar e assim que aterrei em solo espanhol, ainda no aeroporto, rumei ao posto de turismo mais próximo para pedir um mapa e informações básicas sobre a cidade.

Aprendi que a melhor forma de chegar ao centro da cidade é apanhando o “autocarro amarelo”. Impossível de não se ver, o autocarro leva-nos até ao centro da cidade em 20/30 minutos. Gastei os 5€ mais bem empregues nesta viagem porque o aeroporto fica somente duas paragens do centro. Mesmo a viajar a uma hora que poderia ser complicada (aterramos por volta das 9h00 da manhã),cheguei antes da maior parte do comércio abrir portas pelo que ainda tive temo de tomar um café expresso antes das ruas do centro começarem a fervilhar de vida e animação.    

Não tinha tempo para visitar os museus maravilhosos que existem em Madrid como o Museu do Prado ou catedrais fabulosas como a Catedral de Nossa Senhora de La Almudena pelo que optei pela solução mais fácil, um programa de speeding date com os principais monumentos desta cidade.

É tão fácil andar no centro da capital espanhola! A maior parte das ruas não têm carros e os madrilenos estão sempre disponíveis para dar uma ajuda quando nos desorientamos!

O “autocarro amarelo” deixo-me na Plaza de Cibeles. Esta praça fica na interseção da Calle de Alcalá (obrigatório percorrer a pé), com o Paseo de Recoletos e o Paseo del Prado (igualmente obrigatório passear a pé nem que seja só uma parte do Paseo). Trata-se de um dos locais mais simbólicos de Madrid, rodeada por vários edifícios emblemáticos, construídos entre o final do século XVIII e o início do século XX. No centro fica a famosa Fonte de Cibeles, construída em 1782 a partir de um desenho de Ventura Rodríguez. O Palacio de Buenavista ou Cuartel General del Ejército, o Palácio de Linares ou Casa de América e o Palacio de Comunicaciones dão ao turista recém-chegado uma ideia da dimensão do que iremos encontrar de seguida. O centro histórico está repleto de edifícios emblemáticos, alguns verdadeiramente majestosos, com as suas estátuas a fazer parte da estrutura dos edifícios, algumas no seu topo, dando um ar glorioso à cidade.

A Calle Alcalá é uma das principais artérias da cidade. Inicia-se junto à Plaza de Cibeles e termina na Puerta del Sol. Por aqui tudo parece acontecer, existe trânsito mas o fluxo de pessoas domina tudo. É uma rua cheia de comércio, lojas com artigos típicos e alguns cafés com uma doçaria capaz de fazer pecar o mais santo.  

Para quem não conhece a Puerta del Sol, um dos locais mais famosos desta cidade espanhola, é uma praça enorme, rodeada de comércio e de vida. Na praça, olhando à volta, sentimos a dimensão da história, que nos chega através dos inúmeros edifícios majestosos que a rodeiam. A luz também inunda a praça, dando-lhe tons alegres e animados a este local que é conhecido como um dos pontos de encontro da cidade.

O edifício mais antigo da Puerta del Sol é a Real Casa de Correos onde se destaca o relógio da torre. É aqui que se faz tradicionalmente a contagem decrescente para a entrada do ano novo.

A parar somente para tirar fotografias, sabia que ainda me faltava um longo caminho para andar pelo que não podia perder nenhum minuto. Segui em frente pela Calle Mayor sabendo que no final iria encontrar muitos edifícios emblemáticos da cidade.

Não foi fácil encontrar a Plaza Mayor, com uma passagem relativamente disfarçada, o acesso a esta praça está disfarçado entre edifícios, obrigando a prestar uma atenção redobrada para encontrar o acesso. Talvez por isso não estamos preparados para encontrar uma praça enorme, rodeada de monumentos e restaurantes com esplanadas.  

Trata-se de uma praça retangular, rodeada por edifícios de três pisos, tem 129 metros de comprimento e 94 de largura. Debaixo dos vários acessos à praça existem lojas tradicionais, dando um colorido muito especial a esta praça.

De regresso à Calle Mayor, uma outra surpresa aguardava por mim, um pouco mais à frente fica o Mercado de San Miguel. Localizado na Praça de San Miguel o mercado faz lembrar os nossos recentemente remodelados mercados de Campo de Ourique ou o Mercado da Ribeira.

Com obras de remodelação terminadas em 2009, este mercado apresenta-se como um local por excelência para provar algumas das especialidades gastronómicas de Madrid. Este lindo mercado gourmet manteve a fachada de ferro fundido de 1916 e o interior em madeira escura, preservando assim a sua arquitetura original.

O fim da Calle Mayor foi o início da maior surpresa desta viagem. Não tive consegui visitar tudo pelo que a zona do Palácio e o Parque de Las Vistillas ficaram para a próxima viagem a Madrid, assim como o Parque Del Buen Retiro que embora localizado noutra zona da cidade, promete muito quando se passa por perto, deixando-me já a pensar no roteiro da minha próxima viagem.

Não perdi a oportunidade para conhecer, por fora claro, a Catedral de Nossa Senhora de La Almudena que fica junto à magnifica Plaza de La Armeria e ao Palácio Real de Madrid. Não existem palavras para descrever a luz e a beleza deste local. É preciso ir, ver e sentir para perceber que Madrid é uma cidade fabulosa, que se orgulha da sua arquitetura, cheia de jardins e espaços verdes e que recebe os turistas de braços abertos.     

Nesta altura estava rendida à cidade e cheia de pena de não ter mais tempo disponível. Olhei para o relógio e apanhei um susto, já conhecia o suficiente para saber que começava a ficar atrasada para comparecer no compromisso que me tinha levado até aqui. Como esta zona da cidade é plana foi muito fácil chegar ao início, à Plaza de Cibelles e dali começar a subir o Paseo de Recoleros. Se tivesse seguido em sentido contrário teria conhecido o Passeo Del Prado, outro local que ficou à espera da próxima visita.





 

 

O Paseo de Recoleros é uma rua larga, enorme e cheia de comércio. Algumas das mais famosas marcas de roupa e acessórios escolheram esta rua para marcar presença em Madrid. Se de um dos lados só existem prédios e muito comercio, o outro lado faz contraste com praças abertas à luz e monumentos.




 

Cheia de pena de não ter mais tempo dei por mim a pensar de novo numa próxima visita. Ao final do dia, já dentro do avião para regressar a casa, dei por concluída uma das viagens mais surpreendentes que fiz nos últimos tempos.

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