Uma aventura pelas terras mágicas da Escócia



As viagens que fazemos ficam para sempre ligadas a algumas peripécias. Por isso mesmo cada viagem é única e quando nos lembramos de um destino, saltamos de imediato à mente o que nos aconteceu. Se na altura não teve muita graça, com o passar dos anos as recordações vão-nos fazendo sorrir.


Chegar à Escócia profunda, a um pequeno hotel que existe desde o séc. XVIII, o Winnock Hotel, situado na margem do Loch Lomond, sabendo que a nossa bagagem ficou retida em Londres pode ser traumatizante, especialmente se estivermos a viajar de saltos altos, manga curta por debaixo do casaco e nos arredores não houver uma simples mercearia onde comprar um champô ou um gel de banho. Depois subir ao quarto deste maravilhoso hotel do séc. XVII que ao longo dos tempos tem sido albergue para os viajantes e que fica localizado no meio do campo, perto de castelos e de belos jardins sabendo que depois do banho relaxante não vamos poder trocar de roupa é realmente enervante. Entrar na casa de banho, cheia de mau humor, e descobrir uma banheira à antiga, daquelas que temos em casa, só que a TV estava embutida nos azulejos….É único! Sem dúvida, apesar do comando da TV só permitir ver BBC1, BBC2, BBC3….BBC44, este foi o meu melhor banho de imersão alguma vez tomado.


 
Bem quanto à roupa, durante uns dias o aquecimento dos hotéis foi fazendo a sua função de secador rápido e quando finalmente já me estava a habituar ao olhar admirado dos escoceses para o meu calçado pouco adequado a quem anda no campo, eis que encontro uma loja de roupa e parti desesperada à procura de uns ténis. Sem dúvida mais uma sensação única calçar uns ténis e dar alivio a uns pés saturados de saltitar entre montes de terra e pequenas pedras, o típico de quem anda no campo.      
 

Só depois é que olhei à volta, estava ao pé do Falkirk Wheel, o Elevador de Barcos na Escócia. Realmente surpreendente, trata-se de um ambicioso projeto de 84,5m de comprimento pensado para restaurar a navegação pela Escócia entre o histórico Forth & Clyde Canal e o Union Canal, conseguindo construir um corredor que serviria para reativar a atividade no centro da Escócia.

Havia no entanto um grande desafio a ultrapassar, o desnível existente entre os dois canais. A British Waterways apresentou uma solução aproveitando a oportunidade para criar uma estrutura espetacular que seria perfeita para a celebrar a mudança do milênio, sendo simultaneamente um símbolo para o futuro: o Falkirk Wheel - o primeiro elevador giratório de barcos do mundo que foi oficialmente inaugurado nod ia 24 de Maio de 2002.

No Falkirk Wheel a grande Roda é movimentada por 10 motores hidráulicos responsáveis pelo giro das duas gôndolas, que acomodam até 4 barcos de 20 metros de uma vez cada uma, e possui ainda a capacidade de levantar 600 toneladas de água a 35 metros de altura em menos de 15 minutos.

 
Já retemperada foi a vez de uma visita a uma das inúmeras destilarias que existem por aqui, neste caso a Glengoyne Destilaria, localizada em Dumgoyne (perto de Killearn), Glasgow. À entrada ninguém escapa à prova de um bom whisky com 10anos, independentemente das horas a que se chegue para fazer a visita. Depois de nos sentirmos todos um pouco mais animados é altura de seguir caminho, ao longo da destilaria, aprendendo as técnicas que levam ao fabrico do bom whisky de malte e aprendendo regras de ouro como por exemplo a importância da qualidade da água para obter uma bebida com reconhecimento internacional.

 

Algumas coisas fazem mais sentido em determinadas ocasiões. Não sendo fã de música de gaita-de-foles confesso que não tinha entendido a beleza deste instrumento musical até ter feito uma viagem de autocarro pelos highlands, ao som desta música. Aqui tudo faz sentido, a música combina maravilhosamente com a paisagem. O friozinho que se sente lá fora combina também com a paisagem e à nossa volta, estende-se uma tela gigante onde Deus pintou mil cores de verde e castanho, com centenas de lochs, todos a rivalizarem para serem os mais belos, calmos e tranquilos da região. Mesmo com frio, eventualmente até com alguma chuva, a beleza natural desta região não tem comparação, vale a pena ficar em silêncio, sentindo-se em comunhão com a natureza, só a apreciar a beleza da música e da paisagem.





 
Depois é seguir caminho, alguns lochs são navegáveis e a viagem é igualmente estonteante pela sua beleza natural. No Loch Katrine é possível a bordo do Sir Walter Scott fazer um pequeno cruzeiro de uma hora ou um tour de duas horas (extraordinária a dimensão deste loch). Recomenda-se um agasalho mais forte e que relaxe de novo, a paisagem mais uma vez promete e não falha em qualquer altura do ano. Se olhar para dentro da casa das máquinas não se assuste, é mesmo à moda antiga. O barco funciona graças ao carvão e à energia e vigor do maquinista.









 

Depois de retemperadas as energias e de o equilíbrio estar alcançado é altura de deixar o campo rumo a Edimburgo, uma cidade maravilhosa de visita obrigatória nem que seja uma vez na vida. Mas esta história fica para outro dia….


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