Ainda não foi desta que fui à Beira!

Sentimos que vale a pena escrever quando o que colocamos “no papel” é suficiente motivante para tocar quem nos lê. Dos textos até agora publicados neste blog sobre Moçambique surgiu algo novo, alguém que gostava de escrever na primeira pessoa sobre este país fantástico, completando o que já tinha sido por mim mas onde faltava o “detalhe” de não ser só uma visita neste país.

Só conhecia de nome o Rui Castro e Quadros, Professor/Coordinator/ Consultant CIVIL AVIATION MANAGEMENT/AIR TRANSPORT mas tem sido um prazer imenso perceber o que sente quem lá viveu e voltou ao fim de muitos anos. Este texto e as fotos não são da minha autoria mas sinto-me muito lisonjeada em poder partilhar estes conteúdos com todos.

Espero que gostem, esta é só a primeira parte de uma nova parceria.


Ainda não foi desta que fui à Beira!

Afinal desde 1975 que não pisava solo moçambicano, “casa mia”, mas 40 anos depois, desembarquei no país que os meus pais decidiram para eu nascer. Cheguei a Maputo. Agora a resposta para os que se lembram: não, não tinha o cheiro característico da terra batizada com água da chuva. Mas, à chegada, estava um batalhão de gente, que se fosse na Europa, apelidar-se-ia de falta de produtividade. Estes funcionários do aeroporto de Maputo, ali estavam dentro da “manga”, lançado vários bons dias a todos nós, que desembarcávamos em passe de corrida, habituados à azáfama dos aeroportos. O nosso hábito da correria nem tempo deu para agradecer tais cumprimentos. Não havia cheiro a terra molhada, mas sentia-se aquela simpatia que só os moçambicanos sabem lançar. Maningue nice!!!!




Já fora da aerogare recebia mais uma bênção, aquela brisa quente, extremamente agradável e, quem conhece, saberá comparar com aquele ventinho que também recebemos, se estivéssemos em Salvador da Bahia.


Já dentro de Maputo e passando pelos locais míticos da cidade, ocorre-me pensar mais uma vez o quão diferente é este país, desde as suas gentes, até à forma como se convive na rua e nos cafés. Diferente é o mesmo que dizer: muito bom.



Apesar de ter nascido na Beira e de lá ter saído muito miúdo, lembro-me de alguns “símbolos” que com regozijo admiro à medida que percorro as grandes avenidas de Maputo: piripiri, mangas, castanha de caju, Laurentina e 2M, capulanas, pau-preto, o sorriso rasgado do transeunte, sinceridades nos rostos, etc. Também vejo as grandes máquinas e os já habituais smartphone e tablets, sempre com dono garantido.


Chegada a noite, e em passeio marítimo pela orla, sinto novamente a brisa fantástica como se de um comprimido para eternidade se trata-se. Verdadeiramente aconselhável e imperdível.


De regresso ao aeroporto e sentado numa aeronave brasileira de 49 lugares, EMB145, rumo a Nampula, notei um avião completamente lotado e com pessoas que estariam de volta a sua casa, patenteando que o transporte aéreo e o turismo têm futuro garantido. Aterrado no aeroporto de destino e já tarde, ainda se fazia sentir o calor do interior contudo com uns laivos de fresco muito agradável.
 
Saídos de uma época de fortes chuvas, a cidade ainda soluçava pela falta de luz e pelo estado calamitoso das estradas. Verdadeiras crateras embutidas no alcatrão. Mas o moçambicano não para, circula, vende cigarros, panos, capulanas, amendoins e tudo o que é paralelo à necessidade e ao gosto de quem passa.


Tomado o “mata-bicho” e já dentro da carrinha pick-up, rumamos com destino ao novo aeroporto de Nacala, junto à não menos famosa baía de Nacala.


Nampula, Namialo, Monapo, Nacala e Fernão Veloso. De saída de Nampula observei monumentos de pedra gigantes, verdadeiras obras da natureza, crianças a caminho das escolas, cana-de-açúcar, camiões, motas e bicicletas, todas elas em constante “overbooking”, mas ninguém fica para trás.


Em Nacala ou Porto de Nacala, um dos Portos mais importantes da Costa Oriental Africana província de Nampula, constatei a grandiosidade da sua baía e do potencial tremendo dada a sua situação geográfica. Para la rumei e fiquei durante 24 horas. È uma cidade “business” à semelhança de outras onde todos querem ganhar o seu quinhão.


Cidade conhecida como terminal do corredor de Nacala que liga as riquezas deste país, entre o interior e o mar. Também tem praias de finos areais, muito branca, e as aguas muito transparentes e ricas de pescado.


Para continuar…

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